RESENHA: Eleonora

26 março 2017

Título: Eleonora - Livro Medo Clássico
Autor: Edgar Allan Poe
Páginas: 4
Editora: DarkSide Books
Nota: 4/5

Sinopse: A história segue um narrador sem nome que vive com sua prima e sua tia no "Vale das Relvas Multicores", um paraíso idílico cheio de flores perfumadas, árvores fantásticas, e um "Rio do Silêncio".



Avaliação:


Neste ano resolvi participar do projeto #12MesesdePoe, o qual consiste na leitura de um conto e um poema do autor por mês. Neste mês de março, que é também considerado o mês das mulheres, o conto escolhido pela organizadora do projeto, foi o "Eleonora". Confesso que não conhecia essa história, o que tornou a leitura ainda mais única e muito especial.

O conto pode ser considerado uma poesia narrativa, sem perder o tom mórbido e obscuro, clássico do Poe.  O autor é um narrador em primeira pessoa, que nos conta a história de Eleonora, esta por sua vez é sua prima, pela qual ele se apaixonada incondicionalmente. 

Os dois vivem reclusos da sociedade, em um cenário tomado pela natureza e que aparenta ser uma mansão, no meio do Vale das Relvas Multicores  - assim denominado pelo narrador - lá vive somente ele, sua prima Eleonora e sua tia (mãe da jovem), totalmente sozinhos em um cenário repleto de flores, um rio que corre silencioso e muitas árvores. 


A medida que o narrador conta sua história, ficamos encantados com a forma como ele descreve o seu amor por Eleonora, entretanto, quando ela fica doente, ele lhe faz uma promessa um pouco antes dela falecer, assegurando que não amará nenhuma outra mulher, como amou Eleonora. E mesmo após falecer, com esta promessa, ele continua sentindo a presença de sua falecida esposa, principalmente a noite.

"Durante quinze anos, vagueamos, de mãos dadas, pelo vale, eu e Eleonora, antes que o Amor penetrasse em nossos corações. Foi tarde, numa tarde, no fim do terceiro lustro de sua vida e no quarto da minha, em que nos achávamos sentados sob as árvores serpentinas, estreitamente abraçados e contemplávamos nossos rostos dentro da água do rio do Silêncio. Nem uma palavra dissemos durante o resto daquele dia suave, e mesmo no dia seguinte nossas palavras eram roucas e trêmulas. Tínhamos arrancado daquelas águas o deus Eros e agora sentíamos que ele inflamara, dentro de nós, as almas ardentes de nossos antepassados. As paixões que durante séculos haviam distinguido nossa raça vieram em turbilhão com as fantasias pelas quais tinham sido igualmente notáveis e juntas sopraram uma delirante felicidade sobre o vale das Relvas Multicores. Todas as coisas se transformaram."

O tempo passa e o narrador nos fala de seu sofrimento em viver sozinho, não conseguindo mais admirar a natureza como antes e nem mesmo sentir prazer em viver. Assim ele resolve deixar o Vale e vai para a cidade, onde começa a experimentar os prazeres da vida boêmia. No entanto, ele acaba conhecendo uma nova jovem e só a resta a pergunta de que será que ele irá amar outra pessoa? Irá quebrar sua promessa para com Eleonora? 

RESENHA: Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban

Título: Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban
Autora: J.K Rowling
Páginas: 394
Editora: Rocco
Nota: 5/5
Sinopse: Durante 12 anos o forte de Azkaban guardou o prisioneiro Sirius Black, acusado de matar 13 pessoas e ser o principal ajudante de Voldemort, o Senhor das Trevas. Agora ele conseguiu escapar, deixando apenas uma pista: seu destino é a escola de Hogwarts, em busca de Harry Potter. Neste livro o leitor estará mais uma vez mergulhando no mundo mágico de Hogwarts e participando de aventuras repletas de imaginação, humor e emoção, que repetem o encantamento proporcionado pelos livros anteriores dessa maravilhosa série de J. K. Rowling.

Avaliação:

O mês de março está quase no fim, mas não deixei de realizar a leitura que era prioridade deste mês: Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban. Como vocês já sabem, estou participando do projeto #10MesesComHarryPotter e tem sido muito gratificante realizar essa releitura, pois embora já conheça o rumo dos acontecimentos da história, com J.K Rowling é sempre possível se surpreender. Lembrando que ainda dá tempo de participar do projeto - cá entre nós os três primeiros livros são mais curtos - é só solicitarem a participação de vocês no grupo, lá além das discussões, você também encontra o cronograma completo para leitura.

O terceiro ano de Harry já começa bem turbulento, já que nas férias ele se envolve em uma briga com a irmã do Sr.Valter Dursley e por isso acaba saindo de casa, mais cedo do que o previsto. Ao se abrigar nas hospedagens do Caldeirão Furado, Harry acaba ficando a par de uma notícia um tanto quanto pertubadora: Sirius Black, um perigoso bruxo, acabou fugindo de Azkaban. De inicio Harry não entende muito bem o quão alarmante é essa noticia, mas mal sabe que ele o tal criminoso, pode ter um grande influência em sua vida e também no seu passado.


Ao retornar a Hogwarts, o clima é de tensão, com os Dementadores montando guarda nos territórios da escola, o que para Harry é uma péssima notícia, visto que o primeiro encontro com um deles no trem, não foi muito amigável. Para piorar, uma visita ao povoado de Hogsmade está marcada e Harry infelizmente não poderá ir, visto que os seus tios não quiseram assinar a autorização. No entanto, com uma ajudinha dos gêmeos Weasley e sua capa de invisibilidade, Harry acabará burlando as regras outra vez.

RESENHA: A Rainha Normanda

21 março 2017

Título: A Rainha Normanda
Autora: Patricia Bracewell
Páginas: 400
Editora: Arqueiro
Nota: 5/5
Sinopse: Em 1002, Emma da Normandia, uma nobre de apenas 15 anos, atravessa o Mar Estreito para se casar. O homem destinado a ser seu marido é o poderoso rei da Inglaterra, Æthelred II, muito mais velho que ela e já pai de vários filhos. A primeira vez que ela o vê é à porta da catedral, no dia da cerimônia. Assim, de uma hora para outra, Emma se torna parte de uma corte traiçoeira, presa a um marido temperamental e bruto, que não confia nela. Além disso, está cercada de enteados que se ressentem de sua presença e é obrigada a lidar com uma rival muito envolvente que cobiça tanto seu marido quanto sua coroa. Determinada a vencer seus adversários, Emma forja alianças com pessoas influentes na corte e conquista a afeição do povo inglês. Mas o despertar de seu amor por um homem que não é seu marido e a iminente ameaça de uma invasão viking colocam em perigo sua posição como rainha e sua própria vida. Baseado em acontecimentos reais registrados na Crônica Anglo-saxã, A rainha normanda conduz o leitor por um período histórico fascinante e esquecido, no qual fantasmas vigiam os salões do poder, a mão de Deus está presente em cada ação e a morte é uma ameaça sempre à espreita.Governando na época compreendida entre o rei Artur e a rainha Elisabeth I, a rainha Emma é uma heroína inesquecível cuja luta para encontrar seu lugar no mundo continua fascinante até hoje.
Avaliação:

Desde o lançamento desse livro, fiquei totalmente curiosa pela história desta personagem feminina, que lutou para encontrar o seu lugar no mundo, em uma época em que as mulheres viviam submissa aos homens. Confesso que demorei um pouco a pegar nesse livro, o deixei na estante parado por um tempo, mas quando finalmente consegui realizar a leitura de "A Rainha Normanda" me arrependi de não ter lido antes. A história é tudo que você espera dela e um pouco mais. 


Aos seus 15 anos de idade, Emma é enviada a Normandia, atravessando o Mar Estreito para se casar, no lugar de sua irmã mais velha, com o Rei Æthelred II, um bruto e excêntrico tirano da Inglaterra. Ela só não esperava encontrar um marido bem mais velho que ela, com filhos que temem perder o trono caso Emma tenha um filho e uma rival, que quer o seu marido e a coroa. Para piorar, uma ameça de invasão viking começa a surgir, conjuntamente com a desconfiança rondando a corte inglesa. 

"Era um mundo povoado por homens e mulheres tramando por poder e promoções, e seu casamento tinha criado rancores em relação a ela que poderiam um dia lhe angariar muitos inimigos, dos quais ela mal poderia se defender."

Mesmo diante de todos os desafios, Emma está determinada a vencer. Ao se familiarizar com o reino, ela começa a conquistar aliados importantes na corte e também consegue conquistar a afeição do povo da Inglaterra. Mas o destino pode acabar colocando sua vida em risco, quando Emma se apaixona por um homem que não é o seu marido e diante de uma batalha viking isso pode significar uma grande tragédia. 



Baseado em uma história real da Corte Anglo-Saxã, o livro nos conduz a um excelente período da história da Inglaterra, nos guiando a uma disputa de poder e a luta pelo amor proibido em uma corte medieval muito fascinante. O livro é ricamente escrito, com detalhes muito importantes e sólidos, que acabaram por tornar essa história uma verdadeira obra de arte. Um dos pontos positivos do livro, é ser narrado em terceira pessoa, o que acaba por garantir uma melhor perspectiva sobre os cenários, bem como os seus personagens, com destaque para Emma, uma figura feminina muito inspiradora.

RESENHA: Enfeitiçadas

Título: Enfeitiçadas - As Crônicas das Irmãs Bruxas #1
Autora: Jessica Spotswood
Páginas: 272
Editora: Arqueiro
Nota: 4/5
Sinopse: No leito de morte de sua mãe, Cate Cahill fez uma importante promessa: proteger a todo custo suas irmãs mais novas, Maura e Tess. Essa tarefa é mais difícil do que parece, afinal, as irmãs guardam um importante segredo: elas são bruxas. Em uma sociedade governada pela Fraternidade, instituição que pune qualquer suspeita de bruxaria com a prisão, a internação num hospício ou a morte, ser bruxa significa estar constantemente em perigo. Aos 17 anos, faltando apenas algumas semanas para que Cate decida entre se casar ou abraçar a Irmandade - braço feminino da Fraternidade -, talvez ela não consiga manter sua promessa, principalmente depois de encontrar o diário da mãe, que revela um segredo capaz de levar a família à destruição. Desesperada para descobrir alternativas, Cate começa a vasculhar livros proibidos e a encontrar ajuda em novos amigos rebeldes, tudo isso enquanto precisa lidar com eventos sociais, propostas de casamento e um romance proibido com o inadequado jardineiro da família. Se o que sua mãe escreveu for verdade, as garotas Cahill não estão a salvo - nem da Fraternidade, nem da Irmandade, nem delas mesmas.
Avaliação:

Já tinha me interessado por essa história desde o seu lançamento, mas só consegui adquirir os livros no black friday do ano passado e por isso não perdi tempo e resolvi iniciar a leitura. Com um romance delicado, irmãs conflitantes e uma ambientação totalmente nova, "Enfeitiçadas" consegue conquistar qualquer apreciador de obras do gênero, principalmente por sua singularidade e construção de personagens cativantes.

A estória se passa no século XIX, em uma cidade interiorana na Nova Inglaterra. O país é dominado pela Fraternidade, uma organização político-religiosa com membros masculinos, que derrubaram todas as bruxas do país no século passado e desde então, vem lutando incansavelmente para deter qualquer bruxa que tenha restado ou qualquer mulher que se digne com elas. 

Logo no inicio conhecemos Cate Hill, uma jovem de dezesseis anos, irmã mais velha da casa e por isso cheia de responsabilidades. Desde a morte da sua mãe, há três anos atrás, ela vem cuidando da casa e também de suas irmãs mais novas, Maura e Tess. As três irmãs são bruxas, com dons ainda aflorando mas já perceptíveis. O pai delas nada sabe do assunto, pois vive viajando e passando cada vez menos tempo com suas filhas. Assim, Cate é quem cuida da casa e ensina o pouco que aprendeu sobre magia com a mãe, para as irmãs. Esta tarefa é bem complicada, pois não podem deixar que nenhum dos empregados a vejam e muito menos qualquer pessoa da cidade.


Infelizmente para Cate, seu tempo parece estar contado. Falta pouco tempo para os seus dezessete anos e como de costume, ela deve anunciar o seu noivado, ou declarar sua vontade de se juntar a Irmandade, que é basicamente o oposto da Fraternidade, mas composta por mulheres. Cate não quer de forma alguma a segunda opção, já que precisaria se afastar das irmãs para tanto e isso não está nos seus planos. Sua única opção no entanto, é se casar. O problema é que seu pretendente, que era seu único amigo e vizinho, se mudou alguns anos para Nova Londres e ela tem pouquíssimas informações sobre ele, principalmente se ele ainda tem interesse em se casar com ela.

RESENHA: A Saga de Orum - Os Guerreiros Sagrados

20 março 2017

Título: A Saga de Orum - Os Guerreiros Sagrados
Autora: Lara Orlow
Páginas: 364
Editora: Arwen
Nota: 4/5 
Sinopse: A pedra sagrada do príncipe Oxaguiã está desaparecida e isso está abalando os pilares de sustentação de todo o cosmos, o que pode acarretar na aniquilação não apenas de Orum, como também da Terra. A única esperança dos “dois mundos” é uma antiga profecia, que diz que a raça quase extinta de Guerreiros Sagrados da Terra — descendentes dos Orixás — poderá trazer a paz de volta. Rick, Verônica e Duda são três jovens comuns, completamente despreparados que, do dia para a noite, veem-se com a responsabilidade de salvar o mundo. Mas serão eles capazes de superar tantos desafios? Conseguirão aprender rápido o suficiente para salvar não apenas a vida dos Orixás, mas também as suas? A Saga de Orum é uma história da Literatura fantástica repleta de aventura, e que traz para o leitor uma temática imersa em lendas e mitos africanos.

Avaliação:

Desde que descobri esse livro enquanto vasculhava a internet, fiquei muito intrigada com a premissa apresentada, principalmente por se tratar de uma história de aventura, com deuses míticos brasileiros. Por essa razão e também por ter lido poucas obras que apresentassem as lendas de nosso país de uma forma tão inusitada e divertida, acabei me rendendo aos encantos de "A Saga de Orum", primeiro livro da série "Os Guerreiros Sagrados" da autora parceira Lara Orlow.

A história começa com uma antiga profecia, onde Orum ao descobrir que o otá (pedra sagrada) do seu filho e príncipe Oxaguiã desapareceu, começa a pensar que a primeira parte da profecia começou a se concretizar. O problema todo é que sem o otá, os pilares de sustentação de universo começam a ser alterados e consequentemente causando muita desordem e catástrofe, o que poderia acabar ocasionando um verdadeiro apocalipse. 


Ao consultar o Oráculo, o Deus descobre o que tem que fazer. Precisa convocar três guerreiros, que de acordo com a antiga profecia, são únicos que podem resolver essa situação. O problema é que os três guerreiros, acabam sendo humanos e são lançados nesse mundo complicado, sem nenhuma explicação. Eles são Rick, Verônica e Duda, jovens desajustados que agora tem como missão, nada menos do que salvar o mundo.

"Ter um otá, uma pedra sagrada, roubada era algo que não fazia parte da realidade de Orum".

É claro que o caminho não é nada fácil, já que esses três guerreiros precisaram aprender a conviver juntos e superar suas diferenças para lutarem no final. Algumas figuras interessantes vão surgindo ao longo da obra e cenários mais incríveis ainda, vão dando vida a essa aventura, onde só conseguimos torcer o tempo todo, para que tudo dê certo.


Confesso que embora estivesse bem animada para essa leitura, acabei ficando um pouco desanimada pois a narrativa logo de inicio, é muito descritiva e com muitas informações jogadas toda vez só, além do estranhamento com os nomes, que acabaram por me deixar desanimada nas primeiras páginas do livro. Entretanto, resolvi insisti um pouco mais e qual não foi a minha surpresa, encontrar uma história envolvente e cheia de reviravoltas que acabaram me cativando. 

RESENHA: Alma Gêmea

Título: Alma Gême
Autora: Ana Ferrarezzi
Páginas: 279
Editora: Autografia
Nota: 3/5
Livro: Cortesia da autora
Sinopse: Lá, no meio da Floresta Amazônica, há uma tribo legendária – A Tribo Curupira. Joaquim acaba se deparando com um membro dessa tribo, em uma de suas expedições. Ele machuca seu pé, acaba sendo acolhido e se depara com o a planta sagrada capaz de transportar algo pelo tempo e espaço. Após muito esforço, convence o pajé a lhe dar uma amostra dessa planta. O pajé o alerta sobre o risco. Joaquim, aceita a responsabilidade. Com o tempo, Joaquim descobre o verdadeiro sentido das palavras desse sábio Pajé. Letícia encontra uma erva com cheiro de canela no seu Consultório de Psicologia. Decide tomá-la. Cai no sono. Então acorda em um corpo diferente em 1906. Ela não sabe como veio parar nesse corpo, nem tampouco entende como veio parar na França, testemunhando o vôo de consagração de Santos Dumont. Mas as circunstâncias a leva até Joaquim; o homem de seus sonhos. É uma bela história sobre o poder do encontro entre duas almas gêmeas, que vivem em épocas diferentes, que rompem a barreira do improvável para perceber que o sentimento que os une jamais pode ser quebrado. Venha explorar os segredos e mistérios do Alma Gêmea.

Avaliação:


Não posso afirmar que foi fácil compreender rapidamente a leitura de “Alma Gêmea”, de Ana Ferrarezzi. Foi necessário um exercício de análise da construção das narrativas para apreciar a leitura, o que não tira o conceito de muito bom que ofereço à autora...

Parece-me que, intencionalmente, a trama nos leva a um cenário tipicamente brasileiro, a saber, a Floresta Amazônica, no qual um engenheiro português residente em Lisboa, mas interessado em estudo de botânica, se encontra. O mistério de uma planta sagrada para os indígenas e que salva o português da morte parece ser o ponto forte da trama; todavia, o próximo capítulo muda todo o cenário e é exatamente nesse ponto quando se percebe que a compreensão da leitura vai exigir um pouco mais do leitor. Com dois cenários tipicamente marcados (início do século XX – 1906 – e o ano de 2015) e personagens do passado e do futuro se fundindo em indivíduos únicos, ambos tendo relacionamento com uma espécie de droga (um chá), é possível que o leitor se confunda. Eu mesma me confundi várias vezes e precisei anotar nomes de personagens e datas, como na montagem de um quebra-cabeças. 



Espiritualistas dirão que a trama se trata do encontro de gerações cármicas do passado e do presente, expondo as faces da espiritualidade, de mundos paralelos ou da mediunidade. Pessoas vinculadas ao mundo da psicologia e da psiquiatria pensarão no efeito de determinadas drogas no organismo de indivíduos, fazendo-os viverem delírios que possuem atributos de realidade presente. De alguma forma, a busca pela “erva” que é mediadora entre passado e presente instiga o leitor a continuar a leitura, juntando fragmentos de narrativas, de diálogos, de inferências, de forma que não há como compreender o presente sem ler o passado. Em minha opinião, o personagem principal é a tal “erva” que une e desune os personagens em épocas históricas distintas.



Pode-se ler todos os capítulos vinculados ao ano de 1906 e depois os de 2015, mas é imprescindível, depois disso, ler todos em sequência, caso o leitor precise de orientação.A busca de alma gêmea perpassa mais de cem anos até que Letícia encontre Joaquim, entre percalços e necessidades de transporte de alma e de corpo no encontro das variáveis tempo e espaço. O chá da erva é o que permite o transporte citado; todavia, produz outras consequências como a junção de diversas personalidades em uma só pessoa. Em alguns fragmentos da narrativa, a erva ganha um nome que nos remete à coca, mas sem deixar isso muito nítido. Sua função é ligar a alma do usuário a corpos de pessoas mortas, que passam a ter vidas novamente, mas toda sua energia é direcionada ao usuário do chá.

RESENHA: Os Fatos do Caso do Senhor Valdemar

07 março 2017

Título: Contos de Imaginação e Mistério - "Os Fatos do Caso do Senhor Valdemar"
Autor: Edgar Allan Poe
Páginas: 424
Editora: Tordesilhas
Nota: 5/5
Sinopse:  O exímio artista irlandês Harry Clarke se encarrega de um dos trabalhos que determinariam sua fama: a ilustração do clássico de Edgar Allan Poe, "Contos de Imaginação e Mistério". Preparada pela editora Harrap e publicada em Londres em 1919, a edição foi reconhecida imediatamente como uma das joias bibliográficas da época.Desde Então, os desenhos de Clarke continuam exercendo um estranho magnetismo, fruto de uma bela e trabalhosa execução que honrou as histórias sublimes que a inspiraram.Essa edição lendária é retomada aqui com o prefácio de Charles Baudelaire sobre o autor.
Avaliação:

Olá Pessoal,

A resenha de hoje é necessariamente de um dos contos do Edgar Allan Poe, pois como alguns de vocês já sabem, estou participando do projeto #12MesesdePoe. Tem sido muito gratificante poder estar lendo um conto e um poema do renomado autor a cada mês, e é por isso que eu não poderia deixar de trazer a resenha do conto de fevereiro, para quem quiser participar do projeto ainda da tempo, vou deixar o link do grupo aqui. Lá vocês encontram além das discussões, também os arquivos para download, o cronograma e muito mais.

É difícil não se interessar por um conto que fala de hipnotismo, principalmente quando envolve um homem a beira da morte. Narrado em primeira pessoa, nos deparamos com o relato de um evento de mesmerização (hipnose) do Senhor Valdemar, que sofrendo de uma patologia sabia que seus dias estavam próximos e por isso resolveu participar de uma experiência de indução a hipnose, a fim de conservar a vida do paciente.

Um pouco antes da morte, como combinado o narrador (o qual não é revelado o seu nome) recebe o chamado do médico. Não perdendo tempo, vai até a casa do Sr. Valdemar e o encontra na cama, moribundo e quase partindo, empenhado ele começa o processo de hipnose que após algumas tentativas, finalmente dá certo. De inicio o hipnotista faz algumas perguntas para o Sr. Valdemar, que demora a responder, mas ainda assim o faz, mesmo com a voz muito distante.

Enquanto continua com as perguntas, o narrador e o médico percebem que algo estranho aconteceu: os sinais vitais do Sr. Valdemar desapareceram, ele agora já se encontra frio e estático, mas ainda assim respondendo as perguntas e se mantendo em hipnose, mesmo após a morte.  Os médicos acreditam que há ainda um indicio de vida e por isso mantém o paciente sobre aquele estado, mas será que o Sr. Valdemar conseguirá acordar? Realmente restou algum fragmento de vida no corpo dele? Como ele ainda pode responder as perguntas?

RESENHA: Diário de Uma Escrava

06 março 2017

Título: Diário de Uma Escrava
Autora: Rô Mierling
Páginas: 240
Editora: DarkSide Books
Nota: 5/5
Sinopse: Laura é uma menina sequestrada e jogada no fundo de um buraco por alguém que todos imaginavam ser um bom homem. Ela vê sua vida mudar da noite para o dia, e passa a descrever com detalhes sinistros e íntimos cada dia, cada ato, cada dor que o sequestro e o aprisionamento lhe fazem passar. Estevão é homem casado, trabalhador, pai de família, mas que guarda em seu íntimo uma personalidade psicopata. Ele percorre ruas e cidades se apossando da vida de meninas ainda muito jovens, pois dentro de si uma voz afirma que é dele que elas precisam. Mergulhando fundo nessa fantasia, ele destrói vidas, famílias e sonhos, deixando atrás de si um rastro de dor e morte.Narrado em parte em forma de diário, o livro acompanha mais de quatro anos da vida de Laura em um buraco embaixo da terra, período em que algo dentro dela também se modifica de uma forma inimaginável em busca da única maneira para sobreviver. 
Avaliação:

Hoje trago a vocês a resenha de um livro com grande carga emocional e reflexiva. Quando adquiri o meu exemplar de Diário de Uma Escrava já imaginava o que iria encontrar, mas não suspeitava que sentiria sentimentos tão conflitantes e ao mesmo tempo ficasse aborrecida e revoltada por infelizmente estar diante de uma história, que mesmo fictícia evidencia uma cruel realidade vivenciada nos dias atuais. 

No livro conhecemos a história de Laura, ela foi sequestrada quando tinha 14 anos e estava indo encontrar o seu namorado. O sequestrador colocou-a em um buraco, quase uma espécie de porão embaixo da casa. Durante os quatro anos que ali passou, Laura foi violentada e torturada de todas as maneiras possíveis, vivendo em situações precárias de higiene e sempre a mercê do seu sequestrador.

Estevão - "Ogro" como Laura o chama - perante a sociedade parece um homem trabalhador, frequenta a igreja e até mesmo se casou. Por ser marceneiro passa a maior parte do seu tempo no sitio onde desenvolve o seu oficio, enquanto sua esposa fica na cidade sem se importar com o fato do marido gostar mais do interior do que da própria cidade. Entretanto, é justamente no sitio que Estevão mantém Laura cativa e por isso passa mais tempo lá que o normal.


A medida que as páginas do livro se passam, vamos sendo inseridos a rotina de Laura, que narra com detalhes as visitas e os abusos de Ogro. Sofrendo violência física, moral e psicológica, o único ponto de escape dela é pensar nos anos felizes em que viveu com a família e com o namorado que ela tanto amava. Laura também espera conseguir fugir um dia e não deixa de tentar pensar em várias alternativas para sair daquele lugar.

RESENHA: O Mendigo

01 março 2017

Título: O Mendigo
Autor: Carlos Santhyago
Páginas: 96
Editora: Sekhmet
Nota: 4/5
Livro: Cortesia da Editora
Sinopse: Quando tudo o que se precisa é uma boa conversa, a amizade que se tem com uma pessoa vai além da classe social ou cor da pele. Thomas Martins é um morador de rua, mais conhecido como mendigo por todos aqueles que por acaso o enxergam quando tiram os olhos dos próprios problemas. Edison Rocha é uma pessoa que para todos os padrões tem tudo menos aquilo necessário para que seja feliz.Quando um acontecimento faz com que esses dois se encontrem, a simplicidade de Thomas faz com que a Vida de Edison mude de uma forma que ele não esperava.Dentre tantos acontecimentos, essa história narra uma lição de vida para todos. Respeito aos mais velhos. Preconceito sem justificativa. A luta pelo que te faz feliz. E que nem sempre é o dinheiro ou os bens que se tem que definem a felicidade e sim, as pessoas que estão a sua volta e te fazem bem. Afinal, Uma amizade sincera vale muito mais do que qualquer bem material, porque a amizade e a sinceridade são duas jóias preciosas e raras.
Avaliação:

Comecei essa leitura de forma despretensiosa, imaginando um enredo totalmente diferente e quando comecei a leitura, me surpreendi muito com o que encontrei. Mais do que uma simples história, esse livro nos faz pensar sobre as pessoas boas que passam por nossas vidas, aquelas realmente iluminadas que sabem transformar nossos dias e mudar para sempre o seu destino.

Edison está se divertindo em um bar com os amigos, quando de repente aparece um homem mal vestido, carregando uma sacola e aparentemente se trata de um mendigo. Curioso Edison pergunta ao senhor o que ele tanto carrega nas sacolas e o que encontrou durante suas andanças, o mendigo com muita cortesia mostra todos os objetos que encontrou e se mostra ser muito educado e gentil. 

Surpreso com a forma como o homem se portava, parecendo ter um grau de intelecto bem maior do que aparenta, Edison se surpreende com o carisma do homem. Após conversarem um pouco, o Senhor diz que o seu nome é Thomas e ambos se despedem, deixando em Edison um sentimento de conforto e curiosidade, já que o levaria um homem aparentemente bem educado, a viver nas ruas?


Em uma noite de tempestade, enquanto caminha até o seu carro Edison acaba sofrendo uma queda e machucando o seu pé. No chão, Edison fica um pouco surpreso quando sente uma pessoa leva-lo para um abrigo, mas ainda um pouco confuso com a queda ele não consegue distinguir bem quem o ajuda. Em pouco tempo, além de ter um teto sobre a sua cabeça, Edison também tem uma sopa quente nas mãos e após algum tempo, finalmente reconhece Thomas, que tinha dado o seu único jantar a Edison. A partir dessa noite chuvosa, os dois começam a conversar e se tornam bons amigos, mas Edison só não esperava que essa amizade mudaria a sua vida.