RESENHA: Alma Gêmea

20 março 2017

Título: Alma Gême
Autora: Ana Ferrarezzi
Páginas: 279
Editora: Autografia
Nota: 3/5
Livro: Cortesia da autora
Sinopse: Lá, no meio da Floresta Amazônica, há uma tribo legendária – A Tribo Curupira. Joaquim acaba se deparando com um membro dessa tribo, em uma de suas expedições. Ele machuca seu pé, acaba sendo acolhido e se depara com o a planta sagrada capaz de transportar algo pelo tempo e espaço. Após muito esforço, convence o pajé a lhe dar uma amostra dessa planta. O pajé o alerta sobre o risco. Joaquim, aceita a responsabilidade. Com o tempo, Joaquim descobre o verdadeiro sentido das palavras desse sábio Pajé. Letícia encontra uma erva com cheiro de canela no seu Consultório de Psicologia. Decide tomá-la. Cai no sono. Então acorda em um corpo diferente em 1906. Ela não sabe como veio parar nesse corpo, nem tampouco entende como veio parar na França, testemunhando o vôo de consagração de Santos Dumont. Mas as circunstâncias a leva até Joaquim; o homem de seus sonhos. É uma bela história sobre o poder do encontro entre duas almas gêmeas, que vivem em épocas diferentes, que rompem a barreira do improvável para perceber que o sentimento que os une jamais pode ser quebrado. Venha explorar os segredos e mistérios do Alma Gêmea.

Avaliação:


Não posso afirmar que foi fácil compreender rapidamente a leitura de “Alma Gêmea”, de Ana Ferrarezzi. Foi necessário um exercício de análise da construção das narrativas para apreciar a leitura, o que não tira o conceito de muito bom que ofereço à autora...

Parece-me que, intencionalmente, a trama nos leva a um cenário tipicamente brasileiro, a saber, a Floresta Amazônica, no qual um engenheiro português residente em Lisboa, mas interessado em estudo de botânica, se encontra. O mistério de uma planta sagrada para os indígenas e que salva o português da morte parece ser o ponto forte da trama; todavia, o próximo capítulo muda todo o cenário e é exatamente nesse ponto quando se percebe que a compreensão da leitura vai exigir um pouco mais do leitor. Com dois cenários tipicamente marcados (início do século XX – 1906 – e o ano de 2015) e personagens do passado e do futuro se fundindo em indivíduos únicos, ambos tendo relacionamento com uma espécie de droga (um chá), é possível que o leitor se confunda. Eu mesma me confundi várias vezes e precisei anotar nomes de personagens e datas, como na montagem de um quebra-cabeças. 



Espiritualistas dirão que a trama se trata do encontro de gerações cármicas do passado e do presente, expondo as faces da espiritualidade, de mundos paralelos ou da mediunidade. Pessoas vinculadas ao mundo da psicologia e da psiquiatria pensarão no efeito de determinadas drogas no organismo de indivíduos, fazendo-os viverem delírios que possuem atributos de realidade presente. De alguma forma, a busca pela “erva” que é mediadora entre passado e presente instiga o leitor a continuar a leitura, juntando fragmentos de narrativas, de diálogos, de inferências, de forma que não há como compreender o presente sem ler o passado. Em minha opinião, o personagem principal é a tal “erva” que une e desune os personagens em épocas históricas distintas.



Pode-se ler todos os capítulos vinculados ao ano de 1906 e depois os de 2015, mas é imprescindível, depois disso, ler todos em sequência, caso o leitor precise de orientação.A busca de alma gêmea perpassa mais de cem anos até que Letícia encontre Joaquim, entre percalços e necessidades de transporte de alma e de corpo no encontro das variáveis tempo e espaço. O chá da erva é o que permite o transporte citado; todavia, produz outras consequências como a junção de diversas personalidades em uma só pessoa. Em alguns fragmentos da narrativa, a erva ganha um nome que nos remete à coca, mas sem deixar isso muito nítido. Sua função é ligar a alma do usuário a corpos de pessoas mortas, que passam a ter vidas novamente, mas toda sua energia é direcionada ao usuário do chá.

O encontro definitivo dos personagens principais se faz no passado, o que leva o leitor a inferir a morte dos personagens, a manutenção de um sonho perpétuo ou a intenção da autora em manter o mistério do transporte corporal no espaço e no tempo.

Podemos afirmar que o livro precisa ser lido com tranquilidade, sem pressa e sem pré-julgamentos e, se se fizer necessário, com retorno a capítulos anteriores. Essa instabilidade presente no tempo da narrativa (que se faz no presente mesmo quando os anos são 1906 e 1907) nos remetendo a passado e presente é que torna o enredo criativo, instigando o leitor a manter-se na leitura com paciência de detetive, na busca dos verdadeiros nomes, papéis e ações de todos os personagens enredados.


Sugiro que antes da leitura, o possível leitor busque informação científica sobre questões metafísicas, mediunidade, mundos paralelos e reencarnação, para que o prazer do texto se torne mais aparente, principalmente nos primeiros capítulos. Livro bom para quem gosta dos assuntos anteriormente citados bem como para pessoas vinculadas a estudos sobre usos de determinados produtos que possam produzir delírios e afins. A trama é boa se a leitor não se atrever a pular capítulos. Quem gosta de temas fantasmagóricos, misteriosos ou intrigantes também vai gostar de “Alma Gêmea”, cujo objetivo é especificar uma busca contínua no espaço e no tempo pelo ser que nos completa.


QUOTES

"Encontrei o homem da minha vida, mas o perdi no passado."

“Ele queria a alma de Letícia. Sentiu-se furtado de tudo. Nesse momento, ele percebeu que não poderia funcionar mais se não encontrasse a alma que hospedou aquele corpo sem vida”.

“Você conhece a erva que me trouxe até esse tempo? Sim. Eu... ganhei de presente. É uma erva que transporta. No entanto, até agora não descobri como utilizá-la corretamente. ”

15 comentários:

  1. Olá,

    Confesso que a capa do livro não me atraiu e a sinopse também não, agora você dizendo na resenha que não foi fácil compreender a história e dei 3 estrela me desanimou mais ainda com o livro. Vou ter que deixar a dica passar!

    → desencaixados.com

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  2. Olá
    A capa não é muito atrativa, e esse jeito confuso de contar a história também não ajuda muito, mas até que achei interessante suas ponderações sobre viajem no tempo/espaço e o chá místico, vou anotar a dica para o futuro, porque por enquanto quanto mais simples a leitura melhor.

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  3. A capa é linda, mas já pela sinopse não curti muito, ter de fazer um esforço herculeo para compreender o que a autora está querendo dizer também não me parece interessante. Sua resenha foi mt esclarecedora, mas não vai rolar pra mim.

    Raíssa Nantes

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  4. Olá, tudo bem? Não conhecia o livro, e a capa não chamou muito a minha atenção.
    Gostei da sua resenha, mas não sei se é um livro que irá me agradar.
    Um beijo.

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  5. Oi! A história parece ser bem complexa e que se não lermos com calma podemos nos perder facilmente haha, mas isso não deixou de me despertar interesse. Principalmente sobre a história ocorrer no passado e no futuro. Adorei a resenha e vou tentar ler esse livro um dia, bjss!

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  6. Olá, pela sua resenha, senti a complexidade do que a autora propôs nesta trama. É uma pena que não atendeu às expectativas. Não é algo que procuro para ler atualmente, mas poderei dar uma chance em outro momento da minha vida. Abraços!

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  7. Olá,
    Tenho que dizer que já na sua resenha me senti meio perdida. Não que ela não tenha sido clara, mas é que realmente a obra apresenta uma complexidade que deixa qualquer um boquiaberta.
    Essa transição entre épocas juntamente com toda a parte relacionada à espiritualidade para mim não é muito chamativa. Dessa forma, tenho que dizer que não me interessei. Quem sabe no futuro.

    LEITURA DESCONTROLADA

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  8. Achei um tema interessante visto que gosto de livros que abordem mistérios e também não sou de pular capítulos, mesmo que eles se intercalem entre passado e presente acho que leria mesmo na ordem. Por ser um livro complexo acho que talvez encontraria um pouco de dificuldade em me situar então ainda não sei se leria. Vou deixar aqui anotado caso mude de ideia.

    beijinhos!

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  9. Oie tudo bem?! Eu não conhecia a obra e nem a autora. A sinopse chamou minha atenção e o trabalho gráfico também. Nesse momento não sei se leria, apesar de que quando você mencionou temas fantasmagóricos e mistério já me deixou muito mais interessada.
    Bjs

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  10. Hello, tudo bem?
    Ainda não conhecia o livro "Alma Gêmea" e achei até interessante a premissa.
    Mas lendo a resenha, vejo que nao é mto a minha cara esse livro.
    Leio muito pouco sobre mediunidade e acho que ficaria perdida ao ler.
    Mas foi bom conhecer a obra.
    Beijos.

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  11. Oii.

    Achei interessante a premissa e acima de tudo suas impressões mas confesso que não faz o meu gênero, então pelo menos por hora não me vejo lendo ele, quem sabe futuramente.
    Ótima resenha, parabéns pela sinceridade.

    Beijos

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  12. Oiii!!

    Esse não é bem um gênero​ que eu goste muito. Mas achei interessante a sua resenha e a forma como você colocou os pontos!
    Parece ser uma leitura curiosa.

    Beijinhos

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  13. Oi Elisabeth, sua linda, tudo bem?
    Eu já li o livro e adorei!!! Eu acredito no conceito de alma gêmea, acho realmente que toda pessoa tem alguém especial. E o interessante desse livro foi que eram duas almas gêmeas em tempos diferentes. Como resolver essa situação??? Foi o segundo livro que li da autora, adoro a escrita dela.beijinhos.
    cila.
    http://cantinhoparaleitura.blogspot.com.br/

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  14. Olá, tudo bem? Confesso que o livro foge bastante das minhas habituais leituras e isso não me traz nenhum desconforto, mas um prévio interesse. Essa questão de mediunidade, de ter a Floresta Amazônica no meio, me despertou bastante o interesse. Com certeza vou aceitar a sua dica e procurar saber mais sobre o assunto antes de me aventurar no livro. Adorei!
    Beijos,
    diariasleituras.blogspot.com

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